Número de mulheres investindo na Bolsa cresce 46% em relação a 2019


A proporção de CPFs femininos cadastrados na B3, a Bolsa Brasileira, ainda está perto dos 24%, em comparação aos CPFs masculinos. Mas, nos últimos meses, o salto de crescimento da participação feminina é maior: a variação em relação aos números de 2019 é de 46% de aumento. Maior que a variação de 41% de homens.

Parece pouco? Os últimos dados divulgados pela B3, referentes a abril de 2020, apontam que são 568.628 CPFs pertencentes a mulheres. Em 2019, eram 388.497 e, em 2018, eram 179.392. O gráfico, então, é bastante positivo

Daniela Audino, Gerente Comercial aqui na Warren, acredita que, quando colocamos um holofote neste assunto, os movimentos tendem a acontecer com mais intensidade.

“O simples fato de se falar cada vez mais, e mais abertamente, sobre a distância que as mulheres percebem do mercado financeiro, deixa mais evidente os pontos de desconforto e provoca discussões que agregam mais clareza e segurança para este público”, afirma,

Que tendência é essa?

As sucessivas baixas na taxa Selic têm contribuído para o número de pessoas físicas cadastradas na Bolsa de Valores estar aumentando. Kelly Gusmão, CPO da Warren e com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, explica fazendo um comparativo com o comportamento do americano com renda variável:

“Historicamente, a taxa de juros sempre foi muito alta no Brasil. Consequentemente, o brasileiro sempre optou por investimentos mais seguros que, por um tempo, garantiam um rendimento expressivo’, aponta.

Na economia dos EUA, entretanto, sempre foi o inverso: taxa de juros historicamente muito baixa, o que impacta diretamente na rentabilidade de produtos de renda fixa. Isso, ao longo dos anos, normalizou, na cultura americana, o investimento em ações.

“Para você ter uma ideia, quando você tem um filho nos Estados Unidos, geralmente, a família abre uma conta de investimento para ele, compra ações da Disney, manda enquadrar, coloca em cima do berço e, assim, aquela criança se torna a mais nova acionista da Disney”, conta.

O brasileiro, por outro lado, está começando a viver uma era de baixa taxa de juros há pouco tempo.

“Estamos vivendo isso só agora: Selic 3%, poupança rendendo 70% do CDI… É, realmente, um cenário que deixa natural que seja preciso diversificação nos investimentos para buscar rentabilidade”, projeta Kelly.

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Este é um cenário generalizado, que tem feito o número absoluto de CPFs na Bolsa crescer. Mas e o crescimento mais expressivo entre as mulheres? De acordo com Daniela, a mulher vem se empoderando mais em diversos aspectos da vida e se observa uma participação cada vez mais relevante delas como chefes de família.

“Acredito que o tema investimento seja um reflexo disso. Afinal, se existem mais mulheres atuando como únicas ou principais provedoras financeiras, é natural um envolvimento maior na tomada de decisão sobre o destino destes recursos”, sentencia.

A balança está mudando, sim, mas ainda deve levar um tempo para equilibrar totalmente. Afinal, são 23,84% de mulheres e 76,16% de homens.

E quais são os desafios daqui para a frente?

De acordo com Kelly, outro grande obstáculo que existe, ainda, é a falta de informação:

“Só investe quem entende do assunto. Está faltando educação financeira e conteúdo mais acessível. Chega de delegar as finanças para pai, irmão ou marido”, aponta.

Daniela elege a insegurança e o fator cultural como o principais obstáculos a serem batidos. Apesar do cenário estar visivelmente mudando nos últimos anos, por muitas gerações falar sobre dinheiro em casa era um tabu.

“Isso precisa mudar. E não apenas para as mulheres. Sim, elas são mais impactadas pelo histórico patriarcal que existe na sociedade. Mas todos precisam falar mais sobre dinheiro e, assim, se sentir menos inseguros e mais inseridos neste mercado”, explica Daniela..

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Assim como concluíram Daniela e Kelly, com mais informação e debate, não somente as mulheres, mas todos que se sentem longe deste mercado podem repensar sua organização financeira e a forma como fazem  a gestão dos nossos recursos. E, com isso, determinar se será refém ou protagonista neste tema.